COVID19 e Audiometria: dicas de prevenção para fonoaudiólogos e proteção ao paciente durante o exame

Atualizado: Jun 20


No "post" anterior abordamos o uso de Equipamentos de Proteção Individual, EPI durante a realização do exame otoneurológico em tempos de pandemia. Algumas pessoas perguntaram sobre o exame audiométrico, então,

atendendo a pedidos, este post abordará também a prevenção de contaminação pelo novo corona vírus durante a realização da avaliação audiológica básica, que envolve os exames audiometria e imitanciometria, precedidos pela meatoscopia e anamnese. Descrevemos alguns cuidados que consideramos importantes e que estamos seguindo nos nossos atendimentos na FONOTOM, e podem servir como sugestões ou dicas para colegas fonoaudiólogos que estão como nós, preocupados em proteger a si mesmos e os pacientes que procuram nosso serviço.


O exame de audiometria geralmente é considerado um exame eletivo. Dessa forma, é importante conversar com o paciente sobre a necessidade de fazer o exame neste momento de distanciamento social, considerado como principal recurso para prevenir o aumento da disseminação do vírus. Algumas pessoas podem querer apenas fazer um controle periódico, ou até arrumar uma desculpa para sair de casa, mas não apresentam queixas ou relatam sintomas que justifiquem o risco do deslocamento até a clínica e a realização do exame. Nestes casos, sugerimos orientar o agendamento da avaliação para um momento mais oportuno. Contudo, a audiometria também é um exame que pode ser considerado urgente como, por exemplo, em casos de perda súbita de audição, queixa de otalgia, hipótese diagnóstica de otite e labirintite, podendo auxiliar o médico a tomar decisões mais assertivas na escolha do tratamento ou conduta mais adequada para cada caso. Além disso, a audiometria também faz parte de outros protocolos de avaliação, como no caso do exame otoneurológico completo e avaliação para zumbido. Pacientes que precisam de ajustes ou reparos em aparelhos auditivos também podem precisar de urgência na realização do exame porque geralmente dependem deste recurso para sua comunicação.


Os horários de atendimento precisam ser reorganizados para que o profissional tenha tempo suficiente para higienizar a sala e os materiais entre cada atendimento. É importante também que entre os profissionais haja uma discussão sobre estratégias para que os horários sejam agendados de forma a evitar o máximo possível junção de pessoas na sala de espera, e quando não for possível, reorganizar o posicionamento de móveis ou cadeiras de modo que seja possível manter o distanciamento mínimo de 1,5 m entre cada paciente.


A anamnese faz parte da avaliação auditiva e é tão importante quanto o exame audiométrico. Sua duração pode ser ainda mais longa que ele, sendo assim uma condição de alto risco de contágio. Por isso, além do uso de equipamento de proteção individual (EPI), é necessário adotar estratégias que diminuam o tempo e o risco da sua prática, sem perder informações importantes.


Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão do vírus acontece de uma pessoa doente para outra por contato próximo por meio de: toque do aperto de mão; gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro e objetos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas, maçanetas, brinquedos, teclados de computador etc. Mesmo sem sintomas, uma pessoa pode estar contaminada e transmitir o vírus, por isso é necessário evitar conversar muito próximo e orientar o paciente sobre essa distância que precisa ser respeitada.

Uma maneira é disponibilizar um questionário para o paciente responder enquanto espera, ou já tenha respondido em casa, fazendo com que o fonoaudiólogo já tenha uma prévia da história e com isso ele pode ganhar este tempo somente conferindo as informações e esclarecendo dúvidas.


- Higienizar móveis e todos os materiais entre os atendimentos com álcool 70%. O otoscópio deve ficar sobre uma superfície de fácil higienização também com álcool 70%, ou sobre

material descartável. As olivas da imitaciometria e os espéculos dos otoscópios devem ser desinfectados a cada uso.


Apesar dos fabricantes recomendarem o descarte, os insumos são muito caros e por isso é prática comum realizar a desinfecção de materiais não críticos. Em relação à COVID19, por se tratar de um vírus que pode ser combatido facilmente com água e sabão, este recurso pode ser utilizado também para higienizar as

olivas e espéculos, utilizando sabão neutro, escovinha e água corrente. Depois de lavados,

podem ser emergidos em detergente enzimático por alguns minutos, mas é bom lembrar que quanto mais tempo em contato com o produto, mais rápido ele precisará ser descartado por conta do desgaste do material.






- Computador, mouse e o próprio audiômetro podem ser higienizados com álcool

isopropílico. Ele evapora mais rápido e não danifica os equipamentos eletrônicos. Alguns audiômetros, como o Callisto que usamos na FONOTOM, não precisam ser manipulados durante o exame porque todo o procedimento é feito pelo computador, o que facilita a higienização essencial entre os atendimentos.


- Alguns materiais, principalmente os de borracha, como são a maioria dos coxins de fones supra aurais, são muito sensíveis e podem diminuir drasticamente seu tempo de vida útil se forem expostos com frequência a produtos como o álcool. Uma solução seria isolar estes equipamentos com materiais descartáveis para não terem contato com o paciente.


- Para os fones supra existem protetores feitos de TNT e não interferem na realização do exame, porem, apesar de caros sao difíceis de encontrar. Eles podem ser substituídos por toucas de TNT, geralmente fabricadas para uso em cozinhas, e tem preço bem mais acessível e podem ser utilizadas de diferentes formas.

- Se possível, utilizar cadeiras de material impermeável como são as de plástico e as revestidas de couro, para facilitar a higienização. No caso de cadeiras revestidas de tecido, cobrir com plástico ou materiais descartáveis que possam ser trocados a cada atendimento.

- Proporcionar ao paciente uma sequência de condutas que ele não precise tocar em nenhum objeto, nem fone, nem cadeira, nem porta, nem parede e deixar ele ciente que isso é necessário para proteção de ambos. Não deixar os fones sobre a cadeira do paciente e preparar um local específico para deixá-lo pendurado enquanto não estiver sendo utilizado.

- Evitar as cabines muito pequenas e apertadas. Elas geralmente causam desconforto aos pacientes e, nestas circunstâncias em que os pacientes não devem tocar em nada, com fone nos ouvidos e ainda com máscara, seu uso fica comprometido.


- Disponibilizar álcool em gel 70% para os pacientes e sempre incentivar seu uso.


- Usar todos os equipamentos de proteção individual recomendados, como máscara cirúrgica ou N95, óculos de proteção, jaleco e avental descartável e luvas. É importante lembrar que uso de máscara é essencial, porém dificulta a compreensão da fala de quem tem alguma deficiência auditiva, nosso maior público. Por isso, seja objetivo nas orientações iniciais e prefira sempre dar as instruções mais detalhadas com o paciente já preparado e com os fones posicionados, utilizando o microfone do equipamento, abreviando assim o tempo de proximidade com o paciente.


- Prefira realizar a logoaudiometria com material gravado. Além de diminuir o risco de erro nas respostas por interferência do uso da máscara, evita a necessidade de ficar tirando e colocando ela no rosto. Aproveitando pra corrigir a imagem do último post, a recomendação para paramentação é que a máscara seja o primeiro EPI a ser colocado e o último a ser retirado.


Estas recomendações para audiometria também são válidas em casos de exame de processamento auditivo, já que utilizam praticamente os mesmos materiais.


Enquanto preparávamos estas dicas, o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) publicou no site uma nota orientativa sobre a higienização das cabines acústicas. Achamos interessante e testamos algumas orientações, como envolver materiais com plástico filme. Neste caso, envolvemos o otoscópio e o mouse, mas alertamos que equipamentos de precisam de ventilação e que podem superaquecer, precisa ter muito cuidado se for usar este recurso. Acreditamos que pode ser uma forma viável para materiais de difícil higienização sendo bastante útil e barato para ajudar na prevenção.


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